Em algum momento da vida, quase todo mundo já se viu insistindo em uma relação desequilibrada, onde o amor não era recíproco. Muitas vezes, esse comportamento não está ligado ao sentimento pelo outro, mas sim à carência afetiva, um vazio interno que tenta ser preenchido a qualquer custo. A questão é: você realmente ama essa pessoa ou está apenas com medo de ficar só?
A carência afetiva é mais do que um desejo de estar com alguém — é uma necessidade emocional que pode cegar. Quando ela domina, você começa a aceitar migalhas de atenção, confunde presença com amor, e acredita que qualquer relação, mesmo desequilibrada, é melhor do que nenhuma. E é justamente aí que mora o perigo.
O apego nasce da falta, não do amor
Quando estamos carentes, o foco se desloca do que sentimos para o que precisamos. A lógica passa a ser: "Ele(a) me dá um pouco de atenção, então já é suficiente." O medo da solidão grita mais alto que o amor-próprio. Começamos a idealizar o outro, a justificar atitudes frias ou até mesmo abusivas, acreditando que “uma hora ele(a) vai mudar”. A realidade, porém, é que muitas vezes estamos apenas nos agarrando a alguém que não sente o mesmo — e pior, que pode estar ciente disso, mas se aproveita da nossa fragilidade.
Amor não é dependência emocional
Há uma linha tênue entre amar alguém e depender emocionalmente dessa pessoa. Quando estamos emocionalmente dependentes, colocamos o outro no centro da nossa vida. O humor muda de acordo com a resposta da outra pessoa, e a autoestima fica totalmente atrelada à aprovação ou rejeição dela. Em vez de amor saudável, vivemos um ciclo de ansiedade, insegurança e expectativa constante.
Esse tipo de vínculo, criado pela carência, tende a ser mais doloroso do que prazeroso. Porque ele é instável. Você nunca sabe onde pisa, e isso corrói a sua paz. É como tentar caminhar em terreno movediço: quanto mais você se esforça para manter aquilo de pé, mais afunda.
Por que você se apega a quem não te ama?
Existem várias razões psicológicas e emocionais por trás desse comportamento. Pode estar ligado à sua infância, à forma como você aprendeu a receber (ou não) afeto. Pode ser resultado de relações anteriores que te deixaram feridas abertas, que nunca foram tratadas. Ou pode ser um reflexo da baixa autoestima, onde você acredita que merece pouco e, por isso, aceita qualquer coisa.
A verdade é que, quanto mais vazio você estiver por dentro, mais fácil será preencher esse espaço com ilusões. E esse preenchimento é temporário. No fim, a dor de perceber que você está sozinho dentro de uma relação é maior do que estar só de fato.
Como quebrar esse ciclo?
O primeiro passo é reconhecer o padrão. Perceber que você está preso a alguém que não corresponde aos seus sentimentos e que isso não é amor, é apego. Depois, vem a parte mais difícil: acolher sua carência sem usá-la como desculpa para continuar onde não é valorizado.
A carência não é um problema em si. Todos nós temos momentos de vulnerabilidade emocional. O problema é o que fazemos com ela. Buscar ajuda profissional, como terapia, pode ser essencial para entender as raízes desse vazio e aprender a se preencher de dentro para fora. Trabalhar a autoestima, cultivar o amor-próprio e estabelecer limites são práticas fundamentais para sair desse ciclo.
Escolher você deve ser o seu ponto de partida
Amor saudável começa quando você escolhe a si mesmo. Quando você entende que não precisa aceitar menos do que merece para se sentir amado com sugar baby. Que solidão, por mais dolorosa que pareça, é melhor do que a companhia de quem não te respeita, não te escolhe e não te ama de verdade.
A carência afetiva pode ser um convite ao autoconhecimento. Em vez de correr para os braços errados, pare. Olhe para dentro. Escute o que você está tentando calar com relacionamentos que só te machucam. É ali, no silêncio do auto acolhedor, que você começa a se libertar.
Você não precisa de alguém para se sentir inteiro. Precisa de coragem para encarar o vazio, trabalhar nele e se reconstruir. Quando isso acontece, você para de correr atrás de quem não te ama — e começa a atrair quem te vê como prioridade.


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